domingo, novembro 26, 2006
sábado, novembro 11, 2006
O Homem De Branco
Enquanto aguardava a minha companhia para almoçar, sentada no restaurante sito no primeiro andar do mercado municipal da Lourinhã, os meus olhos prenderam-se no vulto branco que avistei ao longe. Era um homem de barba e cabelo longos e grisalhos, de fato branco e sapatos a condizer. Aspecto humilde e sereno. Caminhava com uma pasta na mão, descontraído, lentamente. Não sei o que havia nele mas o que é certo é que não consegui deitar de o observar. Após aproximar-se, sentou-se num beiral do jardim a ver quem passava. Tinha um ar tão calmo e seguro, inspirava sabedoria e convicções profundas. Era diferente! E assumia-o claramente.As pessoas passavam ao seu lado e fitavam-no com certa curiosidade.
Não é usual ver um homem dos seus 60 anos, magro, todo vestido de branco e sem ar de vagabundo, pelo contrário, um porte tanto de elegante como de simples. As barbas e o cabelo grande não lhe conferiam uma imagem de pedinte, mas de homem sábio e misterioso. Como se de um mestre se tratasse.Observei-o uma boa meia hora. E o que mais me marcou foi a PAZ! Foi incrível! Fiquei com uma enorme sensação de leveza e paz dentro de mim. Ele transmitiu-me coisas boas. Tive até vontade de ir ter com ele e dizer-lho cara a cara.
Há pessoas que se atrevem a ser fieis às suas crenças e valores! Admiro-as muito! São essas que têm algo de muito próprio, verdadeiro e puro para nos dar. Não andam por ver andar os outros. São íntegras consigo mesmas, não agridem a sua personalidade em nome dos que os outros pensam ou acham. Amam a si mesmas como são e dão-nos uma grande lição sobre o Amor Próprio.
Foi um momento “kodak”. Jamais esquecerei aqueles minutos em que apenas a olhar aquele homem de branco, fiquei cheia de paz e leveza de espírito, como se fosse um anjo que ali pousou e depois voou para abençoar a outros!
domingo, novembro 05, 2006
Violada... mais uma vez!
Venho aqui deixar a marca da minha tristeza, do sentimento de humilhação e violação da minha pessoa, do meu ser, mais uma vez... após tantos anos.
Ninguém tinha o direito de revelar um segredo que guardei por fortes razões.
Conseguiram trazer o passado de volta ao presente. Mexer numa ferida que nunca sarou e, duvido que alguma vez sare.
Tenho de carregar este fardo para o resto dos meus dias e, como se isso não bastasse, agora vejo-me exposta diante de uma família de aparências, de juízos, cheia de preconceitos e bitolas.
Querida avó... gosto muito de ti, mas não vou ver-te mais. Como te posso enfrentar, agora que te contaram a verdade e que a trataste de forma banal como se fosse eu a louca e insensata?...

Fui buscar a parte impulsiva ao meu pai...a mesma que o fez revelar o meu segredo! Sem que tivesse esse direito! A mesma que agora me afasta por completo de pessoas das quais gosto mas não tenho cara para ver.
Sinto-me despida... Sinto que me rasgaram as roupas, em público e me expuseram ao vitupério.
Sinto-me triste e ofendida, incompreendida e vulgarizada, violada mais uma vez... mas, desta vez, não por uma pessoa, mas por todas aquelas que abrirem a sua boca para pronunciar juízo sobre mim!
Não há maior humilhação e tristeza que ouvir a nossa avó defender o filho que nos violou aos 7 anos de idade! Faz-nos sentir o ser mais miserável e desprezível à face da terra.
Não tenho muitas palavras para descrever a dor que inundou o meu peito ao descobrir esta revelação do MEU segredo! Era meu! Só eu tinha o direito de o contar ou não. Mais ninguém!
Posso ter sofrido muito por ti, mas valeu a pena, pois também contigo aprendi muita coisa boa!
Adoro-te.
Se alguma vez leres este blog... saberás que é de ti que eu falo!



